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Artigo: A saúde sitiada*

O governo não priorizou a segurança jurídica nos contratos dos trabalhadores da saúde e preferiu utilizar-se de frágeis e precárias formas de contratação, com isso, hoje, transforma em tristeza e intranquilidade o futuro de servidores e suas famílias com a notícia do fim do Pro-Saúde e da Associação Nossa Senhora da Saúde (Anssau), que administra o Hospital do Juruá. Essas “empresas” que empregam médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e pessoal administrativo, somando milhares de trabalhadores, recebem a notícia de que estão com a corda no pescoço, vendo escorrer pelos dedos das mãos o sustento de suas famílias. O resultado é muita revolta, indignação e depressão pela atitude irresponsável dos governantes, que ignoram as leis que regem nosso país.

O governo mantém contratos precários com médicos que se renovam mensalmente, trimestralmente, por 6 meses, por ano, por 10 anos, por 20 anos e, após tanto tempo trabalhando, esses servidores são simplesmente jogados fora, descartados, abandonados à própria sorte, sem qualquer direito trabalhista, em um Estado governado por um único partido há 20 anos, ignorando a saúde, que constitucionalmente, deveria ser obrigação do poder público, como está registrado no Artigo 196 da nossa Constituição Federal.

Para completar o caos instalado na saúde, os trabalhadores estão sendo abatidos, mortos por bandidos, dentro das unidades de saúde. No local em que deveriam ter o prazer de exercer a função de salvar vidas, amargam o medo, a insegurança a falta de perspectiva de mudança em um curto espaço de temo.

O governo tem feito ouvidos de mercador às reclamações das entidades representativas dos trabalhadores. Como pode, em uma saúde de primeiro mundo, os profissionais que atuam nos hospitais, UPAs e postos tombarem mortos pela violência dentro dos locais de trabalho?

*Ribamar Costa

Presidente do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC)

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